Era uma vez dois irmãos, Lúcia e Lucas, que viviam em uma pacata aldeia, não muito longe da Floresta Redonda. Lúcia era uma menina inteligente e corajosa que sempre cuidava do seu irmão mais novo, Lucas. Lucas era um menino alegre e travesso que adorava animais e frequentemente explorava a floresta para fazer novos amigos.

Um dia, Lucas estava brincando debaixo de um velho carvalho quando encontrou um ninho de pássaros abandonado. Enquanto admirava os pequenos ovos, de repente soprou um vento frio, e das árvores saiu uma bruxa má em sua vassoura. O rosto da bruxa estava enrugado, e seus olhos brilhavam com maldade.
“Finalmente encontrei o que estava procurando!” disse ela com uma voz rouca. “Uma criança que pode me ajudar a recuperar minha juventude!”

Antes que Lucas pudesse entender o que estava acontecendo, a bruxa o agarrou e o levou em sua vassoura. Ela voou para o fundo da Floresta Redonda, onde sua casa estava escondida. A bruxa queria que Lucas encontrasse o segredo mais profundo da floresta: a Fonte da Juventude, que apenas uma criança de coração puro poderia descobrir.
Quando Lúcia soube que a bruxa má havia levado seu irmão, ela agiu imediatamente. Os aldeões, assustados, se esconderam em suas casas e não ousaram entrar na floresta. Mas Lúcia estava decidida. Pegou um mapa deixado por seu pai e partiu em busca de Lucas. Ela sabia que enfrentaria perigos pelo caminho, mas estava pronta para fazer o que fosse necessário para trazer seu irmão de volta.

Lúcia caminhou pela Floresta Redonda até chegar a um amplo prado coberto de grama. O prado era tranquilo, com o vento balançando suavemente as árvores e alguns pássaros voando alto no céu. Ao se aproximar, Lúcia ouviu um leve e desesperado chilrear. Ela seguiu o som e logo viu um pequeno pardal preso na rede de um caçador.
O passarinho batia as asas freneticamente, mas quanto mais se debatia, mais preso ficava na rede.
“Espere, não se mova, eu vou te ajudar!” disse Lúcia, agachando-se cuidadosamente.
O pardal ficou imóvel, como se entendesse que Lúcia não queria machucá-lo. Lúcia desenredou cuidadosamente a rede das asas e das patas do passarinho até que ele ficou livre. Por um momento, o passarinho tremeu, e então falou:

“Obrigado, obrigado por me salvar! Achei que nunca conseguiria sair!”
“Tenha mais cuidado da próxima vez,” disse Lúcia com um sorriso.
O pardal voou alegremente e desapareceu.
Lúcia caminhou mais um pouco pelo caminho até encontrar uma enorme árvore oca. De uma pequena fenda no tronco, ela ouviu chiados fracos. Lúcia se agachou e viu que uma família de ratos estava presa lá dentro. Uma grande pedra bloqueava a entrada.
O rato mais velho se aproximou da fenda e disse: “Por favor, ajude-nos! Estamos presos e não conseguimos sair!”
Lúcia olhou ao redor e tentou mover a pedra, mas era muito pesada. Então, lembrou-se de ter visto um galho longo e resistente por perto. Ela o trouxe de volta e o usou como alavanca para levantar a pedra. Com muito esforço, conseguiu movê-la o suficiente para que os ratos escapassem pela fenda.

“Obrigado por nos libertar!” chiaram os ratos. “Estamos muito agradecidos!”
Lúcia sorriu e acenou para os ratos, depois continuou seu caminho. Além da árvore, o caminho ficou mais escuro e sinuoso, mas Lúcia sabia que estava mais perto de seu irmão do que nunca.

Lúcia caminhou por muito tempo até chegar a uma clareira onde viu um lago cristalino de montanha. O lago era cercado por altas montanhas, e o único som era o suave ondular da água. Lúcia olhou ao redor e ouviu um leve gemido próximo.
Seguindo o som, Lúcia chegou a uma caverna. Ela entrou na caverna mal iluminada e viu uma grande tartaruga deitada de costas. A tartaruga agitava desesperadamente as pernas, mas não conseguia se virar.
“Por favor, ajude-me!” disse a tartaruga ao ver Lúcia.
Lúcia rapidamente se aproximou e usou toda a sua força para virar a tartaruga de volta sobre as patas. A tartaruga finalmente ficou de pé e soltou um suspiro de gratidão.

“Obrigada, menina corajosa! Achei que ficaria presa aqui para sempre.”
“Fico feliz por poder ajudar,” disse Lúcia. “Mas preciso me apressar. Estou procurando meu irmão. A bruxa o levou, e não sei onde ela está escondida. Você pode me ajudar?”
A tartaruga pensou por um momento e depois assentiu. “A bruxa vive na Colina Sombria, do outro lado da floresta. Siga este caminho à beira do lago. Ele levará você às montanhas e direto à colina. Mas tome cuidado— a área está cheia de armadilhas dela!”

“Obrigada pela ajuda!” disse Lúcia, e partiu na direção que a tartaruga havia indicado. Ela sabia que estava mais perto de seu objetivo, e o tempo estava se esgotando.
Lúcia chegou ao topo da Colina Sombria, onde ficava a casa da bruxa. A pequena cabana em ruínas estava coberta por grossas e emaranhadas trepadeiras, e acima do telhado, corvos circulavam, grasnando alto como se estivessem guardando o local.
Quando Lúcia se aproximou, os corvos estavam prestes a mergulhar sobre ela. Mas, nesse momento, um pequeno pardal apareceu. O pássaro voou rapidamente pelo ar, distraindo os corvos. Os corvos voaram atrás do pardal, grasnando irritados, enquanto Lúcia aproveitava a oportunidade para entrar na casa. Da porta, ela olhou para trás e piscou para o pardal, agradecendo-o por sua ajuda.

Dentro, Lúcia viu Lucas sentado em um canto, preso em uma gaiola. Ele parecia cansado enquanto olhava para sua irmã. A bruxa estava ao lado de um caldeirão borbulhante e se virou para Lúcia com um sorriso maligno.
“Então, você me encontrou… mas tudo é em vão. Você nunca levará seu irmão!”
Lúcia ficou paralisada, sem saber o que fazer. De repente, ratos começaram a correr de todas as direções. Alguns subiram pela saia da bruxa, cercando-a. A bruxa gritou apavorada e pulou em cima da mesa.
“Saia de perto de mim!” gritou ela.

Os ratos não se mexeram e apenas se multiplicaram. Entre eles, Lúcia reconheceu o rato velho que ela havia libertado da árvore oca. Em desespero, a bruxa tirou a chave da gaiola do bolso e a jogou pela janela.
“Pegue se puder!” gritou ela com raiva, segurando ainda mais forte na borda da mesa.
Lúcia correu até a janela e viu que a chave havia caído no lago ao lado da casa.

Ela correu rapidamente até o lago, e enquanto estava na margem, olhou para a água escura e profunda com desespero. Não havia como ela mergulhar para recuperá-la. Nesse momento, uma tartaruga apareceu e nadou silenciosamente até ela. Lúcia sorriu ao reconhecê-la.
Sem dizer uma palavra, a tartaruga mergulhou até o fundo do lago e, depois de um momento, voltou à superfície com a chave na boca.
“Muito obrigada,” disse Lúcia. “Não achei que te veria novamente tão cedo!”

Lúcia correu de volta para a casa e abriu a gaiola com a chave, finalmente libertando Lucas. Os irmãos se abraçaram com força e rapidamente saíram correndo da casa o mais rápido que puderam. A bruxa ainda tremia em cima da mesa por causa dos ratos e os amaldiçoava impotente enquanto fugiam.
Lúcia e Lucas correram de mãos dadas colina abaixo e não pararam até saírem da floresta sombria. Quando finalmente avistaram sua aldeia, o sol já estava se pondo. Sua família os abraçou calorosamente, e toda a aldeia comemorou por eles terem retornado em segurança.

Lúcia nunca esqueceu essas aventuras e, mais tarde, costumava contar a história para seus próprios filhos. Os dois irmãos vivem felizes em sua pequena aldeia, e alguns dizem que ainda estão lá até hoje.
Português



English
简体中文
Español
Deutsch
Magyar
Русский
Français
हिन्दी
العربية